segunda-feira, 25 de outubro de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Texto utilizado na aula da Pow
10 maneiras de ensinar gramática
1 – a primeira maneira de ensinar gramática é não ensiná-la. Utilize em sala a gramática, dê aos alunos vários exemplos que envolvam o tópico gramatical, e faça com que eles produzam frases utilizando o tópico sem ter que falar sobre ele, explicá-lo. A maneira tradicional de descrever a forma, explicar os usos, nomear os usos, dar exemplos, copiar os exemplos e fazer com que eles produzam seus próprios exemplos, às vezes não funciona.
2 – Evite utilizar mensagens negativas: por que? Porque a classe inconscientemente através da linguagem corporal e voz da mensagem passam a tomar por verdade algo negativo. Se você disser que, por exemplo, o Past perfect é difícil e assim vocês cometerão erros ao utilizá-lo, os alunos inconscientemente irão cometer erros.
3 – descoberta dos alunos: De aos alunos vários textos autênticos onde o tópico gramatical ocorre 3 vezes ou mais. Escreva na lousa por exemplo had –ed e mais nada. Os alunos em duplas procurem nos textos e simplesmente sublinham frases que contenham o tópico gramatical onde encontrá-lo. Depois os alunos lêem os exemplos que encontraram e falam o que eles acham que significa e seu uso. Estimule os alunos a escreverem novas sentenças que façam parte da realidade deles, utilizando a nova estrutura. Então, se você desejar, você pode utilizar o nome do tópico. A descoberta dos alunos é normalmente mais rápida e mais fácil de memorizar do que ensinar. E ainda há tempo para você andar pela sala e ajudar individualmente os alunos.
4 – Sugestopédia: enquanto os alunos estão relaxados, você lê um texto em voz alta, ao ritmo de movimentos lentos de música barroca. O texto contém 5 ou mais exemplos do tópico. Seus alunos devem ter o texto. Você lê o texto em voz alta e com uma voz mais natural. Dê aos alunos 8 minutos de silêncio para focar especificamente no tópico (em 3). Então inicie as atividades onde os alunos utilizem a estrutura sobre eles mesmos.
5 – Delegando: diga: vocês 4 para lição de casa, leiam ao próxima unidade do livro. Nós ainda não a estudamos. Aqui está um livro de gramática também. Prepare para ensinar a aula da estrutura gramatical nos primeiros dez minutos da aula amanhã.
6 – O mesmo texto; Utilize o mesmo texto para cada tempo verbal novo, por ex Eu levanto as 6 da manhã. Eu tomo banho. Eu me troco. Eu tomo café da manhã. Mude apenas o tempo verbal. Os alunos escrevem o texto modificado de maneira que várias versões do mesmo texto com a gramática envolvida esse é um maneira excelente para revisão.
7 – Textos diferentes: Utilize exemplos bem humorados e diferentes para alunos associarem com estruturas diferentes. Imagens diferentes são mais fáceis de memorizar e eles podem ajudar os alunos a evitar confundir os textos.
8 – Após apresentar a estrutura gramatical em um texto escolhido por você, os alunos criam textos individuais e personalizados e exemplos que sejam mais fáceis de memorizar e criar associações para eles.
9 – Resposta física total: Diga e represente o texto escolhido com um voluntário. Então você diz o texto enquanto seu voluntário representa. Você diz e toda a sala representa. Eles todos dizem e você representa. Em duplas, A diz e B representa e depois trocam, você mostra o texto e aponte para as partes dele e sua classe diz e representa. Por fim eles escrevem o texto.
10 – Reciclagem transformada: Inicie uma discussão com toda a sala. Durante a discussão faça notas rápidas como quem disse o que. Antes da próxima aula, escreva um texto, o conteúdo do qual é quem diz o que, mas a forma de qual uso utilize vários exemplos da estrutura gramatical você escolheu para a classe, ex: passsivos, IF clauses, reported speech, etc. Deixe os alunos ver o texto (cópias ou cartazes na parede. Leiam eles em voz alta enquanto os alunos vejam o texto. eles estão confiantes e interessados porque o texto é sobre eles. Nessa atmosfera positiva, eles entendem e aprendem (passivamente) a nova estrutura
1 – a primeira maneira de ensinar gramática é não ensiná-la. Utilize em sala a gramática, dê aos alunos vários exemplos que envolvam o tópico gramatical, e faça com que eles produzam frases utilizando o tópico sem ter que falar sobre ele, explicá-lo. A maneira tradicional de descrever a forma, explicar os usos, nomear os usos, dar exemplos, copiar os exemplos e fazer com que eles produzam seus próprios exemplos, às vezes não funciona.
2 – Evite utilizar mensagens negativas: por que? Porque a classe inconscientemente através da linguagem corporal e voz da mensagem passam a tomar por verdade algo negativo. Se você disser que, por exemplo, o Past perfect é difícil e assim vocês cometerão erros ao utilizá-lo, os alunos inconscientemente irão cometer erros.
3 – descoberta dos alunos: De aos alunos vários textos autênticos onde o tópico gramatical ocorre 3 vezes ou mais. Escreva na lousa por exemplo had –ed e mais nada. Os alunos em duplas procurem nos textos e simplesmente sublinham frases que contenham o tópico gramatical onde encontrá-lo. Depois os alunos lêem os exemplos que encontraram e falam o que eles acham que significa e seu uso. Estimule os alunos a escreverem novas sentenças que façam parte da realidade deles, utilizando a nova estrutura. Então, se você desejar, você pode utilizar o nome do tópico. A descoberta dos alunos é normalmente mais rápida e mais fácil de memorizar do que ensinar. E ainda há tempo para você andar pela sala e ajudar individualmente os alunos.
4 – Sugestopédia: enquanto os alunos estão relaxados, você lê um texto em voz alta, ao ritmo de movimentos lentos de música barroca. O texto contém 5 ou mais exemplos do tópico. Seus alunos devem ter o texto. Você lê o texto em voz alta e com uma voz mais natural. Dê aos alunos 8 minutos de silêncio para focar especificamente no tópico (em 3). Então inicie as atividades onde os alunos utilizem a estrutura sobre eles mesmos.
5 – Delegando: diga: vocês 4 para lição de casa, leiam ao próxima unidade do livro. Nós ainda não a estudamos. Aqui está um livro de gramática também. Prepare para ensinar a aula da estrutura gramatical nos primeiros dez minutos da aula amanhã.
6 – O mesmo texto; Utilize o mesmo texto para cada tempo verbal novo, por ex Eu levanto as 6 da manhã. Eu tomo banho. Eu me troco. Eu tomo café da manhã. Mude apenas o tempo verbal. Os alunos escrevem o texto modificado de maneira que várias versões do mesmo texto com a gramática envolvida esse é um maneira excelente para revisão.
7 – Textos diferentes: Utilize exemplos bem humorados e diferentes para alunos associarem com estruturas diferentes. Imagens diferentes são mais fáceis de memorizar e eles podem ajudar os alunos a evitar confundir os textos.
8 – Após apresentar a estrutura gramatical em um texto escolhido por você, os alunos criam textos individuais e personalizados e exemplos que sejam mais fáceis de memorizar e criar associações para eles.
9 – Resposta física total: Diga e represente o texto escolhido com um voluntário. Então você diz o texto enquanto seu voluntário representa. Você diz e toda a sala representa. Eles todos dizem e você representa. Em duplas, A diz e B representa e depois trocam, você mostra o texto e aponte para as partes dele e sua classe diz e representa. Por fim eles escrevem o texto.
10 – Reciclagem transformada: Inicie uma discussão com toda a sala. Durante a discussão faça notas rápidas como quem disse o que. Antes da próxima aula, escreva um texto, o conteúdo do qual é quem diz o que, mas a forma de qual uso utilize vários exemplos da estrutura gramatical você escolheu para a classe, ex: passsivos, IF clauses, reported speech, etc. Deixe os alunos ver o texto (cópias ou cartazes na parede. Leiam eles em voz alta enquanto os alunos vejam o texto. eles estão confiantes e interessados porque o texto é sobre eles. Nessa atmosfera positiva, eles entendem e aprendem (passivamente) a nova estrutura
Texto utilizado na aula da Pow
10 maneiras de ensinar gramática
1 – a primeira maneira de ensinar gramática é não ensiná-la. Utilize em sala a gramática, dê aos alunos vários exemplos que envolvam o tópico gramatical, e faça com que eles produzam frases utilizando o tópico sem ter que falar sobre ele, explicá-lo. A maneira tradicional de descrever a forma, explicar os usos, nomear os usos, dar exemplos, copiar os exemplos e fazer com que eles produzam seus próprios exemplos, às vezes não funciona.
2 – Evite utilizar mensagens negativas: por que? Porque a classe inconscientemente através da linguagem corporal e voz da mensagem passam a tomar por verdade algo negativo. Se você disser que, por exemplo, o Past perfect é difícil e assim vocês cometerão erros ao utilizá-lo, os alunos inconscientemente irão cometer erros.
3 – descoberta dos alunos: De aos alunos vários textos autênticos onde o tópico gramatical ocorre 3 vezes ou mais. Escreva na lousa por exemplo had –ed e mais nada. Os alunos em duplas procurem nos textos e simplesmente sublinham frases que contenham o tópico gramatical onde encontrá-lo. Depois os alunos lêem os exemplos que encontraram e falam o que eles acham que significa e seu uso. Estimule os alunos a escreverem novas sentenças que façam parte da realidade deles, utilizando a nova estrutura. Então, se você desejar, você pode utilizar o nome do tópico. A descoberta dos alunos é normalmente mais rápida e mais fácil de memorizar do que ensinar. E ainda há tempo para você andar pela sala e ajudar individualmente os alunos.
4 – Sugestopédia: enquanto os alunos estão relaxados, você lê um texto em voz alta, ao ritmo de movimentos lentos de música barroca. O texto contém 5 ou mais exemplos do tópico. Seus alunos devem ter o texto. Você lê o texto em voz alta e com uma voz mais natural. Dê aos alunos 8 minutos de silêncio para focar especificamente no tópico (em 3). Então inicie as atividades onde os alunos utilizem a estrutura sobre eles mesmos.
5 – Delegando: diga: vocês 4 para lição de casa, leiam ao próxima unidade do livro. Nós ainda não a estudamos. Aqui está um livro de gramática também. Prepare para ensinar a aula da estrutura gramatical nos primeiros dez minutos da aula amanhã.
6 – O mesmo texto; Utilize o mesmo texto para cada tempo verbal novo, por ex Eu levanto as 6 da manhã. Eu tomo banho. Eu me troco. Eu tomo café da manhã. Mude apenas o tempo verbal. Os alunos escrevem o texto modificado de maneira que várias versões do mesmo texto com a gramática envolvida esse é um maneira excelente para revisão.
7 – Textos diferentes: Utilize exemplos bem humorados e diferentes para alunos associarem com estruturas diferentes. Imagens diferentes são mais fáceis de memorizar e eles podem ajudar os alunos a evitar confundir os textos.
8 – Após apresentar a estrutura gramatical em um texto escolhido por você, os alunos criam textos individuais e personalizados e exemplos que sejam mais fáceis de memorizar e criar associações para eles.
9 – Resposta física total: Diga e represente o texto escolhido com um voluntário. Então você diz o texto enquanto seu voluntário representa. Você diz e toda a sala representa. Eles todos dizem e você representa. Em duplas, A diz e B representa e depois trocam, você mostra o texto e aponte para as partes dele e sua classe diz e representa. Por fim eles escrevem o texto.
10 – Reciclagem transformada: Inicie uma discussão com toda a sala. Durante a discussão faça notas rápidas como quem disse o que. Antes da próxima aula, escreva um texto, o conteúdo do qual é quem diz o que, mas a forma de qual uso utilize vários exemplos da estrutura gramatical você escolheu para a classe, ex: passsivos, IF clauses, reported speech, etc. Deixe os alunos ver o texto (cópias ou cartazes na parede. Leiam eles em voz alta enquanto os alunos vejam o texto. eles estão confiantes e interessados porque o texto é sobre eles. Nessa atmosfera positiva, eles entendem e aprendem (passivamente) a nova estrutura
1 – a primeira maneira de ensinar gramática é não ensiná-la. Utilize em sala a gramática, dê aos alunos vários exemplos que envolvam o tópico gramatical, e faça com que eles produzam frases utilizando o tópico sem ter que falar sobre ele, explicá-lo. A maneira tradicional de descrever a forma, explicar os usos, nomear os usos, dar exemplos, copiar os exemplos e fazer com que eles produzam seus próprios exemplos, às vezes não funciona.
2 – Evite utilizar mensagens negativas: por que? Porque a classe inconscientemente através da linguagem corporal e voz da mensagem passam a tomar por verdade algo negativo. Se você disser que, por exemplo, o Past perfect é difícil e assim vocês cometerão erros ao utilizá-lo, os alunos inconscientemente irão cometer erros.
3 – descoberta dos alunos: De aos alunos vários textos autênticos onde o tópico gramatical ocorre 3 vezes ou mais. Escreva na lousa por exemplo had –ed e mais nada. Os alunos em duplas procurem nos textos e simplesmente sublinham frases que contenham o tópico gramatical onde encontrá-lo. Depois os alunos lêem os exemplos que encontraram e falam o que eles acham que significa e seu uso. Estimule os alunos a escreverem novas sentenças que façam parte da realidade deles, utilizando a nova estrutura. Então, se você desejar, você pode utilizar o nome do tópico. A descoberta dos alunos é normalmente mais rápida e mais fácil de memorizar do que ensinar. E ainda há tempo para você andar pela sala e ajudar individualmente os alunos.
4 – Sugestopédia: enquanto os alunos estão relaxados, você lê um texto em voz alta, ao ritmo de movimentos lentos de música barroca. O texto contém 5 ou mais exemplos do tópico. Seus alunos devem ter o texto. Você lê o texto em voz alta e com uma voz mais natural. Dê aos alunos 8 minutos de silêncio para focar especificamente no tópico (em 3). Então inicie as atividades onde os alunos utilizem a estrutura sobre eles mesmos.
5 – Delegando: diga: vocês 4 para lição de casa, leiam ao próxima unidade do livro. Nós ainda não a estudamos. Aqui está um livro de gramática também. Prepare para ensinar a aula da estrutura gramatical nos primeiros dez minutos da aula amanhã.
6 – O mesmo texto; Utilize o mesmo texto para cada tempo verbal novo, por ex Eu levanto as 6 da manhã. Eu tomo banho. Eu me troco. Eu tomo café da manhã. Mude apenas o tempo verbal. Os alunos escrevem o texto modificado de maneira que várias versões do mesmo texto com a gramática envolvida esse é um maneira excelente para revisão.
7 – Textos diferentes: Utilize exemplos bem humorados e diferentes para alunos associarem com estruturas diferentes. Imagens diferentes são mais fáceis de memorizar e eles podem ajudar os alunos a evitar confundir os textos.
8 – Após apresentar a estrutura gramatical em um texto escolhido por você, os alunos criam textos individuais e personalizados e exemplos que sejam mais fáceis de memorizar e criar associações para eles.
9 – Resposta física total: Diga e represente o texto escolhido com um voluntário. Então você diz o texto enquanto seu voluntário representa. Você diz e toda a sala representa. Eles todos dizem e você representa. Em duplas, A diz e B representa e depois trocam, você mostra o texto e aponte para as partes dele e sua classe diz e representa. Por fim eles escrevem o texto.
10 – Reciclagem transformada: Inicie uma discussão com toda a sala. Durante a discussão faça notas rápidas como quem disse o que. Antes da próxima aula, escreva um texto, o conteúdo do qual é quem diz o que, mas a forma de qual uso utilize vários exemplos da estrutura gramatical você escolheu para a classe, ex: passsivos, IF clauses, reported speech, etc. Deixe os alunos ver o texto (cópias ou cartazes na parede. Leiam eles em voz alta enquanto os alunos vejam o texto. eles estão confiantes e interessados porque o texto é sobre eles. Nessa atmosfera positiva, eles entendem e aprendem (passivamente) a nova estrutura
Texto para filme
Machado de Assis
MISSA DO GALO
Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.
A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.
Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.
Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver "a missa do galo na Corte". A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.
- Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.
- Leio, D. Inácia.
Tinha comigo um romance, os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me à mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto a casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavalo magro de D’Artagnan e fui-me às aventuras. Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição.
- Ainda não foi? Perguntou ela.
- Não fui; parece que ainda não é meia-noite.
- Que paciência!
Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da a1cova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro; ela foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé. Como eu lhe perguntasse se a havia acordado, sem querer, fazendo barulho, respondeu com presteza:
- Não! qual! Acordei por acordar.
Fitei-a um pouco e duvidei da afirmativa. Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no sono. Essa observação, porém, que valeria alguma coisa em outro espírito, depressa a botei fora, sem advertir que talvez não dormisse justamente por minha causa, e mentisse para me não afligir ou aborrecer. Já disse que ela era boa, muito boa.
- Mas a hora já há de estar próxima, disse eu.
- Que paciência a sua de esperar acordado, enquanto o vizinho dorme! E esperar sozinho! Não tem medo de almas do outro mundo? Eu cuidei que se assustasse quando me viu.
- Quando ouvi os passos estranhei; mas a senhora apareceu logo.
- Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros.
- Justamente: é muito bonito.
- Gosta de romances?
- Gosto.
- Já leu a Moreninha?
- Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba.
- Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido?
Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as pálpebras meio-cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a língua pelos beiços, para umedecê-los. Quando acabei de falar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre eles pousar o queixo, tendo os cotovelos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos.
- Talvez esteja aborrecida, pensei eu.
E logo alto:
- D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu...
- Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relógio; são onze e meia. Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia?
- Já tenho feito isso.
- Eu, não; perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo sono. Mas também estou ficando velha.
- Que velha o quê, D. Conceição?
Tal foi o calor da minha palavra que a fez sorrir. De costume tinha os gestos demorados e as atitudes tranqüilas; agora, porém, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janela da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distinta como naquela noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho de cortina ou consertando a posição de algum objeto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o círculo das suas idéias; tornou ao espanto de me ver esperar acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e não queria perdê-la.
- É a mesma missa da roça; todas as missas se parecem.
- Acredito; mas aqui há de haver mais luxo e mais gente também. Olhe, a semana santa na Corte é mais bonita que na roça. São João não digo, nem Santo Antônio...
Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muitos claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por quê, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos. Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava um pouco a voz, ela reprimia-me:
- Mais baixo! Mamãe pode acordar.
E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso falar alto para ser ouvido; cochichávamos os dois, eu mais que ela, porque falava mais; ela, às vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. Afinal, cansou; trocou de atitude e de lugar. Deu volta à mesa e veio sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me, e pude ver, a furto, o bico das chinelas; mas foi só o tempo que ela gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. Conceição disse baixinho:
- Mamãe está longe, mas tem o sono muito leve; se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no sono.
- Eu também sou assim.
- O quê? Perguntou ela inclinando o corpo para ouvir melhor.
Fui sentar-me na cadeira que ficava ao lado do canapé e repeti a palavra. Riu-se da coincidência; também ela tinha o sono leve; éramos três sonos leves.
- Há ocasiões em que sou como mamãe: acordando, custa-me dormir outra vez, rolo na cama, à toa, levanto-me, acendo vela, passeio, torno a deitar-me, e nada.
- Foi o que lhe aconteceu hoje.
- Não, não, atalhou ela.
Não entendi a negativa; ela pode ser que também não a entendesse. Pegou das pontas do cinto e bateu com elas sobre os joelhos, isto é, o joelho direito, porque acabava de cruzar as pernas. Depois referiu uma história de sonhos, e afirmou-me que só tivera um pesadelo, em criança. Quis saber se eu os tinha. A conversa reatou-se assim lentamente, longamente, sem que eu desse pela hora nem pela missa. Quando eu acabava uma narração ou uma explicação, ela inventava outra pergunta ou outra matéria, e eu pegava novamente na palavra. De quando em quando, reprimia-me:
- Mais baixo, mais baixo...
Havia também umas pausas. Duas outras vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem sono nem fadiga, como se ela os houvesse fechado para ver melhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que, em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima. Estava de pé, os braços cruzados; eu, em respeito a ela, quis levantar-me; não consentiu, pôs uma das mãos no meu ombro, e obrigou-me a estar sentado. Cuidei que ia dizer alguma coisa; mas estremeceu, como se tivesse um arrepio de frio, voltou as costas e foi sentar-se na cadeira, onde me achara lendo. Dali relanceou a vista pelo espelho, que ficava por cima do canapé, falou de duas gravuras que pendiam da parede.
- Estes quadros estão ficando velhos. Já pedi a Chiquinho para comprar outros.
Chiquinho era o marido. Os quadros falavam do principal negócio deste homem. Um representava "Cleópatra"; não me recordo o assunto do outro, mas eram mulheres. Vulgares ambos; naquele tempo não me pareciam feios.
- São bonitos, disse eu.
- Bonitos são; mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais próprias para sala de rapaz ou de barbeiro.
- De barbeiro? A senhora nunca foi a casa de barbeiro.
- Mas imagino que os fregueses, enquanto esperam, falam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista deles com figuras bonitas. Em casa de família é que não acho próprio. É o que eu penso; mas eu penso muita coisa assim esquisita. Seja o que for, não gosto dos quadros. Eu tenho uma Nossa Senhora da Conceição, minha madrinha, muito bonita; mas é de escultura, não se pode pôr na parede, nem eu quero. Está no meu oratório.
A idéia do oratório trouxe-me a da missa, lembrou-me que podia ser tarde e quis dizê-lo. Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, com doçura, com graça, com tal moleza que trazia preguiça à minha alma e fazia esquecer a missa e a igreja. Falava das suas devoções de menina e moça. Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá, tudo de mistura, quase sem interrupção. Quando cansou do passado, falou do presente, dos negócios da casa, das canseiras de família, que lhe diziam ser muitas, antes de casar, mas não eram nada. Não me contou, mas eu sabia que casara aos vinte e sete anos.
Já agora não trocava de lugar, como a princípio, e quase não saíra da mesma atitude. Não tinha os grandes olhos compridos, e entrou a olhar à toa para as paredes.
- Precisamos mudar o papel da sala, disse daí a pouco, como se falasse consigo.
Concordei, para dizer alguma coisa, para sair da espécie de sono magnético, ou o que quer que era que me tolhia a língua e os sentidos. Queria e não queria acabar a conversação; fazia esforço para arredar os olhos dela, e arredava-os por um sentimento de respeito; mas a idéia de parecer que era aborrecimento, quando não era, levava-me os olhos outra vez para Conceição. A conversa ia morrendo. Na rua, o silêncio era completo.
Chegamos a ficar por algum tempo, - não posso dizer quanto, - inteiramente calados. O rumor único e escasso, era um roer de camundongo no gabinete, que me acordou daquela espécie de sonolência; quis falar dele, mas não achei modo. Conceição parecia estar devaneando. Subitamente, ouvi uma pancada na janela, do lado de fora, e uma voz que bradava: "Missa do galo! missa do galo!"
- Aí está o companheiro, disse ela levantando-se. Tem graça; você é que ficou de ir acordá-lo, ele é que vem acordar você. Vá, que hão de ser horas; adeus.
- Já serão horas? perguntei.
- Naturalmente.
- Missa do galo! repetiram de fora, batendo.
-Vá, vá, não se faça esperar. A culpa foi minha. Adeus; até amanhã.
E com o mesmo balanço do corpo, Conceição enfiou pelo corredor dentro, pisando mansinho. Saí à rua e achei o vizinho que esperava. Guiamos dali para a igreja. Durante a missa, a figura de Conceição interpôs-se mais de uma vez, entre mim e o padre; fique isto à conta dos meus dezessete anos. Na manhã seguinte, ao almoço, falei da missa do galo e da gente que estava na igreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.
Fonte: Contos Consagrados - Machado de Assis - Coleção Pretígio - Ediouro - s/d.
MISSA DO GALO
Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.
A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.
Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.
Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver "a missa do galo na Corte". A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.
- Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.
- Leio, D. Inácia.
Tinha comigo um romance, os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me à mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto a casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavalo magro de D’Artagnan e fui-me às aventuras. Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição.
- Ainda não foi? Perguntou ela.
- Não fui; parece que ainda não é meia-noite.
- Que paciência!
Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da a1cova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro; ela foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé. Como eu lhe perguntasse se a havia acordado, sem querer, fazendo barulho, respondeu com presteza:
- Não! qual! Acordei por acordar.
Fitei-a um pouco e duvidei da afirmativa. Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no sono. Essa observação, porém, que valeria alguma coisa em outro espírito, depressa a botei fora, sem advertir que talvez não dormisse justamente por minha causa, e mentisse para me não afligir ou aborrecer. Já disse que ela era boa, muito boa.
- Mas a hora já há de estar próxima, disse eu.
- Que paciência a sua de esperar acordado, enquanto o vizinho dorme! E esperar sozinho! Não tem medo de almas do outro mundo? Eu cuidei que se assustasse quando me viu.
- Quando ouvi os passos estranhei; mas a senhora apareceu logo.
- Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros.
- Justamente: é muito bonito.
- Gosta de romances?
- Gosto.
- Já leu a Moreninha?
- Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba.
- Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido?
Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as pálpebras meio-cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a língua pelos beiços, para umedecê-los. Quando acabei de falar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre eles pousar o queixo, tendo os cotovelos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos.
- Talvez esteja aborrecida, pensei eu.
E logo alto:
- D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu...
- Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relógio; são onze e meia. Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia?
- Já tenho feito isso.
- Eu, não; perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo sono. Mas também estou ficando velha.
- Que velha o quê, D. Conceição?
Tal foi o calor da minha palavra que a fez sorrir. De costume tinha os gestos demorados e as atitudes tranqüilas; agora, porém, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janela da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distinta como naquela noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho de cortina ou consertando a posição de algum objeto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o círculo das suas idéias; tornou ao espanto de me ver esperar acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e não queria perdê-la.
- É a mesma missa da roça; todas as missas se parecem.
- Acredito; mas aqui há de haver mais luxo e mais gente também. Olhe, a semana santa na Corte é mais bonita que na roça. São João não digo, nem Santo Antônio...
Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muitos claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por quê, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos. Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava um pouco a voz, ela reprimia-me:
- Mais baixo! Mamãe pode acordar.
E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso falar alto para ser ouvido; cochichávamos os dois, eu mais que ela, porque falava mais; ela, às vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. Afinal, cansou; trocou de atitude e de lugar. Deu volta à mesa e veio sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me, e pude ver, a furto, o bico das chinelas; mas foi só o tempo que ela gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. Conceição disse baixinho:
- Mamãe está longe, mas tem o sono muito leve; se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no sono.
- Eu também sou assim.
- O quê? Perguntou ela inclinando o corpo para ouvir melhor.
Fui sentar-me na cadeira que ficava ao lado do canapé e repeti a palavra. Riu-se da coincidência; também ela tinha o sono leve; éramos três sonos leves.
- Há ocasiões em que sou como mamãe: acordando, custa-me dormir outra vez, rolo na cama, à toa, levanto-me, acendo vela, passeio, torno a deitar-me, e nada.
- Foi o que lhe aconteceu hoje.
- Não, não, atalhou ela.
Não entendi a negativa; ela pode ser que também não a entendesse. Pegou das pontas do cinto e bateu com elas sobre os joelhos, isto é, o joelho direito, porque acabava de cruzar as pernas. Depois referiu uma história de sonhos, e afirmou-me que só tivera um pesadelo, em criança. Quis saber se eu os tinha. A conversa reatou-se assim lentamente, longamente, sem que eu desse pela hora nem pela missa. Quando eu acabava uma narração ou uma explicação, ela inventava outra pergunta ou outra matéria, e eu pegava novamente na palavra. De quando em quando, reprimia-me:
- Mais baixo, mais baixo...
Havia também umas pausas. Duas outras vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem sono nem fadiga, como se ela os houvesse fechado para ver melhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que, em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima. Estava de pé, os braços cruzados; eu, em respeito a ela, quis levantar-me; não consentiu, pôs uma das mãos no meu ombro, e obrigou-me a estar sentado. Cuidei que ia dizer alguma coisa; mas estremeceu, como se tivesse um arrepio de frio, voltou as costas e foi sentar-se na cadeira, onde me achara lendo. Dali relanceou a vista pelo espelho, que ficava por cima do canapé, falou de duas gravuras que pendiam da parede.
- Estes quadros estão ficando velhos. Já pedi a Chiquinho para comprar outros.
Chiquinho era o marido. Os quadros falavam do principal negócio deste homem. Um representava "Cleópatra"; não me recordo o assunto do outro, mas eram mulheres. Vulgares ambos; naquele tempo não me pareciam feios.
- São bonitos, disse eu.
- Bonitos são; mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais próprias para sala de rapaz ou de barbeiro.
- De barbeiro? A senhora nunca foi a casa de barbeiro.
- Mas imagino que os fregueses, enquanto esperam, falam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista deles com figuras bonitas. Em casa de família é que não acho próprio. É o que eu penso; mas eu penso muita coisa assim esquisita. Seja o que for, não gosto dos quadros. Eu tenho uma Nossa Senhora da Conceição, minha madrinha, muito bonita; mas é de escultura, não se pode pôr na parede, nem eu quero. Está no meu oratório.
A idéia do oratório trouxe-me a da missa, lembrou-me que podia ser tarde e quis dizê-lo. Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, com doçura, com graça, com tal moleza que trazia preguiça à minha alma e fazia esquecer a missa e a igreja. Falava das suas devoções de menina e moça. Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá, tudo de mistura, quase sem interrupção. Quando cansou do passado, falou do presente, dos negócios da casa, das canseiras de família, que lhe diziam ser muitas, antes de casar, mas não eram nada. Não me contou, mas eu sabia que casara aos vinte e sete anos.
Já agora não trocava de lugar, como a princípio, e quase não saíra da mesma atitude. Não tinha os grandes olhos compridos, e entrou a olhar à toa para as paredes.
- Precisamos mudar o papel da sala, disse daí a pouco, como se falasse consigo.
Concordei, para dizer alguma coisa, para sair da espécie de sono magnético, ou o que quer que era que me tolhia a língua e os sentidos. Queria e não queria acabar a conversação; fazia esforço para arredar os olhos dela, e arredava-os por um sentimento de respeito; mas a idéia de parecer que era aborrecimento, quando não era, levava-me os olhos outra vez para Conceição. A conversa ia morrendo. Na rua, o silêncio era completo.
Chegamos a ficar por algum tempo, - não posso dizer quanto, - inteiramente calados. O rumor único e escasso, era um roer de camundongo no gabinete, que me acordou daquela espécie de sonolência; quis falar dele, mas não achei modo. Conceição parecia estar devaneando. Subitamente, ouvi uma pancada na janela, do lado de fora, e uma voz que bradava: "Missa do galo! missa do galo!"
- Aí está o companheiro, disse ela levantando-se. Tem graça; você é que ficou de ir acordá-lo, ele é que vem acordar você. Vá, que hão de ser horas; adeus.
- Já serão horas? perguntei.
- Naturalmente.
- Missa do galo! repetiram de fora, batendo.
-Vá, vá, não se faça esperar. A culpa foi minha. Adeus; até amanhã.
E com o mesmo balanço do corpo, Conceição enfiou pelo corredor dentro, pisando mansinho. Saí à rua e achei o vizinho que esperava. Guiamos dali para a igreja. Durante a missa, a figura de Conceição interpôs-se mais de uma vez, entre mim e o padre; fique isto à conta dos meus dezessete anos. Na manhã seguinte, ao almoço, falei da missa do galo e da gente que estava na igreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.
Fonte: Contos Consagrados - Machado de Assis - Coleção Pretígio - Ediouro - s/d.
Texto para filme
Machado de Assis
MISSA DO GALO
Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.
A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.
Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.
Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver "a missa do galo na Corte". A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.
- Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.
- Leio, D. Inácia.
Tinha comigo um romance, os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me à mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto a casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavalo magro de D’Artagnan e fui-me às aventuras. Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição.
- Ainda não foi? Perguntou ela.
- Não fui; parece que ainda não é meia-noite.
- Que paciência!
Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da a1cova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro; ela foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé. Como eu lhe perguntasse se a havia acordado, sem querer, fazendo barulho, respondeu com presteza:
- Não! qual! Acordei por acordar.
Fitei-a um pouco e duvidei da afirmativa. Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no sono. Essa observação, porém, que valeria alguma coisa em outro espírito, depressa a botei fora, sem advertir que talvez não dormisse justamente por minha causa, e mentisse para me não afligir ou aborrecer. Já disse que ela era boa, muito boa.
- Mas a hora já há de estar próxima, disse eu.
- Que paciência a sua de esperar acordado, enquanto o vizinho dorme! E esperar sozinho! Não tem medo de almas do outro mundo? Eu cuidei que se assustasse quando me viu.
- Quando ouvi os passos estranhei; mas a senhora apareceu logo.
- Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros.
- Justamente: é muito bonito.
- Gosta de romances?
- Gosto.
- Já leu a Moreninha?
- Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba.
- Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido?
Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as pálpebras meio-cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a língua pelos beiços, para umedecê-los. Quando acabei de falar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre eles pousar o queixo, tendo os cotovelos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos.
- Talvez esteja aborrecida, pensei eu.
E logo alto:
- D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu...
- Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relógio; são onze e meia. Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia?
- Já tenho feito isso.
- Eu, não; perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo sono. Mas também estou ficando velha.
- Que velha o quê, D. Conceição?
Tal foi o calor da minha palavra que a fez sorrir. De costume tinha os gestos demorados e as atitudes tranqüilas; agora, porém, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janela da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distinta como naquela noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho de cortina ou consertando a posição de algum objeto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o círculo das suas idéias; tornou ao espanto de me ver esperar acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e não queria perdê-la.
- É a mesma missa da roça; todas as missas se parecem.
- Acredito; mas aqui há de haver mais luxo e mais gente também. Olhe, a semana santa na Corte é mais bonita que na roça. São João não digo, nem Santo Antônio...
Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muitos claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por quê, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos. Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava um pouco a voz, ela reprimia-me:
- Mais baixo! Mamãe pode acordar.
E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso falar alto para ser ouvido; cochichávamos os dois, eu mais que ela, porque falava mais; ela, às vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. Afinal, cansou; trocou de atitude e de lugar. Deu volta à mesa e veio sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me, e pude ver, a furto, o bico das chinelas; mas foi só o tempo que ela gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. Conceição disse baixinho:
- Mamãe está longe, mas tem o sono muito leve; se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no sono.
- Eu também sou assim.
- O quê? Perguntou ela inclinando o corpo para ouvir melhor.
Fui sentar-me na cadeira que ficava ao lado do canapé e repeti a palavra. Riu-se da coincidência; também ela tinha o sono leve; éramos três sonos leves.
- Há ocasiões em que sou como mamãe: acordando, custa-me dormir outra vez, rolo na cama, à toa, levanto-me, acendo vela, passeio, torno a deitar-me, e nada.
- Foi o que lhe aconteceu hoje.
- Não, não, atalhou ela.
Não entendi a negativa; ela pode ser que também não a entendesse. Pegou das pontas do cinto e bateu com elas sobre os joelhos, isto é, o joelho direito, porque acabava de cruzar as pernas. Depois referiu uma história de sonhos, e afirmou-me que só tivera um pesadelo, em criança. Quis saber se eu os tinha. A conversa reatou-se assim lentamente, longamente, sem que eu desse pela hora nem pela missa. Quando eu acabava uma narração ou uma explicação, ela inventava outra pergunta ou outra matéria, e eu pegava novamente na palavra. De quando em quando, reprimia-me:
- Mais baixo, mais baixo...
Havia também umas pausas. Duas outras vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem sono nem fadiga, como se ela os houvesse fechado para ver melhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que, em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima. Estava de pé, os braços cruzados; eu, em respeito a ela, quis levantar-me; não consentiu, pôs uma das mãos no meu ombro, e obrigou-me a estar sentado. Cuidei que ia dizer alguma coisa; mas estremeceu, como se tivesse um arrepio de frio, voltou as costas e foi sentar-se na cadeira, onde me achara lendo. Dali relanceou a vista pelo espelho, que ficava por cima do canapé, falou de duas gravuras que pendiam da parede.
- Estes quadros estão ficando velhos. Já pedi a Chiquinho para comprar outros.
Chiquinho era o marido. Os quadros falavam do principal negócio deste homem. Um representava "Cleópatra"; não me recordo o assunto do outro, mas eram mulheres. Vulgares ambos; naquele tempo não me pareciam feios.
- São bonitos, disse eu.
- Bonitos são; mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais próprias para sala de rapaz ou de barbeiro.
- De barbeiro? A senhora nunca foi a casa de barbeiro.
- Mas imagino que os fregueses, enquanto esperam, falam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista deles com figuras bonitas. Em casa de família é que não acho próprio. É o que eu penso; mas eu penso muita coisa assim esquisita. Seja o que for, não gosto dos quadros. Eu tenho uma Nossa Senhora da Conceição, minha madrinha, muito bonita; mas é de escultura, não se pode pôr na parede, nem eu quero. Está no meu oratório.
A idéia do oratório trouxe-me a da missa, lembrou-me que podia ser tarde e quis dizê-lo. Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, com doçura, com graça, com tal moleza que trazia preguiça à minha alma e fazia esquecer a missa e a igreja. Falava das suas devoções de menina e moça. Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá, tudo de mistura, quase sem interrupção. Quando cansou do passado, falou do presente, dos negócios da casa, das canseiras de família, que lhe diziam ser muitas, antes de casar, mas não eram nada. Não me contou, mas eu sabia que casara aos vinte e sete anos.
Já agora não trocava de lugar, como a princípio, e quase não saíra da mesma atitude. Não tinha os grandes olhos compridos, e entrou a olhar à toa para as paredes.
- Precisamos mudar o papel da sala, disse daí a pouco, como se falasse consigo.
Concordei, para dizer alguma coisa, para sair da espécie de sono magnético, ou o que quer que era que me tolhia a língua e os sentidos. Queria e não queria acabar a conversação; fazia esforço para arredar os olhos dela, e arredava-os por um sentimento de respeito; mas a idéia de parecer que era aborrecimento, quando não era, levava-me os olhos outra vez para Conceição. A conversa ia morrendo. Na rua, o silêncio era completo.
Chegamos a ficar por algum tempo, - não posso dizer quanto, - inteiramente calados. O rumor único e escasso, era um roer de camundongo no gabinete, que me acordou daquela espécie de sonolência; quis falar dele, mas não achei modo. Conceição parecia estar devaneando. Subitamente, ouvi uma pancada na janela, do lado de fora, e uma voz que bradava: "Missa do galo! missa do galo!"
- Aí está o companheiro, disse ela levantando-se. Tem graça; você é que ficou de ir acordá-lo, ele é que vem acordar você. Vá, que hão de ser horas; adeus.
- Já serão horas? perguntei.
- Naturalmente.
- Missa do galo! repetiram de fora, batendo.
-Vá, vá, não se faça esperar. A culpa foi minha. Adeus; até amanhã.
E com o mesmo balanço do corpo, Conceição enfiou pelo corredor dentro, pisando mansinho. Saí à rua e achei o vizinho que esperava. Guiamos dali para a igreja. Durante a missa, a figura de Conceição interpôs-se mais de uma vez, entre mim e o padre; fique isto à conta dos meus dezessete anos. Na manhã seguinte, ao almoço, falei da missa do galo e da gente que estava na igreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.
Fonte: Contos Consagrados - Machado de Assis - Coleção Pretígio - Ediouro - s/d.
MISSA DO GALO
Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.
A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.
Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.
Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver "a missa do galo na Corte". A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.
- Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.
- Leio, D. Inácia.
Tinha comigo um romance, os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me à mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto a casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavalo magro de D’Artagnan e fui-me às aventuras. Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição.
- Ainda não foi? Perguntou ela.
- Não fui; parece que ainda não é meia-noite.
- Que paciência!
Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da a1cova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro; ela foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé. Como eu lhe perguntasse se a havia acordado, sem querer, fazendo barulho, respondeu com presteza:
- Não! qual! Acordei por acordar.
Fitei-a um pouco e duvidei da afirmativa. Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no sono. Essa observação, porém, que valeria alguma coisa em outro espírito, depressa a botei fora, sem advertir que talvez não dormisse justamente por minha causa, e mentisse para me não afligir ou aborrecer. Já disse que ela era boa, muito boa.
- Mas a hora já há de estar próxima, disse eu.
- Que paciência a sua de esperar acordado, enquanto o vizinho dorme! E esperar sozinho! Não tem medo de almas do outro mundo? Eu cuidei que se assustasse quando me viu.
- Quando ouvi os passos estranhei; mas a senhora apareceu logo.
- Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros.
- Justamente: é muito bonito.
- Gosta de romances?
- Gosto.
- Já leu a Moreninha?
- Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba.
- Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido?
Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as pálpebras meio-cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a língua pelos beiços, para umedecê-los. Quando acabei de falar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre eles pousar o queixo, tendo os cotovelos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos.
- Talvez esteja aborrecida, pensei eu.
E logo alto:
- D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu...
- Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relógio; são onze e meia. Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia?
- Já tenho feito isso.
- Eu, não; perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo sono. Mas também estou ficando velha.
- Que velha o quê, D. Conceição?
Tal foi o calor da minha palavra que a fez sorrir. De costume tinha os gestos demorados e as atitudes tranqüilas; agora, porém, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janela da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distinta como naquela noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho de cortina ou consertando a posição de algum objeto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o círculo das suas idéias; tornou ao espanto de me ver esperar acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e não queria perdê-la.
- É a mesma missa da roça; todas as missas se parecem.
- Acredito; mas aqui há de haver mais luxo e mais gente também. Olhe, a semana santa na Corte é mais bonita que na roça. São João não digo, nem Santo Antônio...
Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muitos claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por quê, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos. Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava um pouco a voz, ela reprimia-me:
- Mais baixo! Mamãe pode acordar.
E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso falar alto para ser ouvido; cochichávamos os dois, eu mais que ela, porque falava mais; ela, às vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. Afinal, cansou; trocou de atitude e de lugar. Deu volta à mesa e veio sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me, e pude ver, a furto, o bico das chinelas; mas foi só o tempo que ela gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. Conceição disse baixinho:
- Mamãe está longe, mas tem o sono muito leve; se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no sono.
- Eu também sou assim.
- O quê? Perguntou ela inclinando o corpo para ouvir melhor.
Fui sentar-me na cadeira que ficava ao lado do canapé e repeti a palavra. Riu-se da coincidência; também ela tinha o sono leve; éramos três sonos leves.
- Há ocasiões em que sou como mamãe: acordando, custa-me dormir outra vez, rolo na cama, à toa, levanto-me, acendo vela, passeio, torno a deitar-me, e nada.
- Foi o que lhe aconteceu hoje.
- Não, não, atalhou ela.
Não entendi a negativa; ela pode ser que também não a entendesse. Pegou das pontas do cinto e bateu com elas sobre os joelhos, isto é, o joelho direito, porque acabava de cruzar as pernas. Depois referiu uma história de sonhos, e afirmou-me que só tivera um pesadelo, em criança. Quis saber se eu os tinha. A conversa reatou-se assim lentamente, longamente, sem que eu desse pela hora nem pela missa. Quando eu acabava uma narração ou uma explicação, ela inventava outra pergunta ou outra matéria, e eu pegava novamente na palavra. De quando em quando, reprimia-me:
- Mais baixo, mais baixo...
Havia também umas pausas. Duas outras vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem sono nem fadiga, como se ela os houvesse fechado para ver melhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que, em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima. Estava de pé, os braços cruzados; eu, em respeito a ela, quis levantar-me; não consentiu, pôs uma das mãos no meu ombro, e obrigou-me a estar sentado. Cuidei que ia dizer alguma coisa; mas estremeceu, como se tivesse um arrepio de frio, voltou as costas e foi sentar-se na cadeira, onde me achara lendo. Dali relanceou a vista pelo espelho, que ficava por cima do canapé, falou de duas gravuras que pendiam da parede.
- Estes quadros estão ficando velhos. Já pedi a Chiquinho para comprar outros.
Chiquinho era o marido. Os quadros falavam do principal negócio deste homem. Um representava "Cleópatra"; não me recordo o assunto do outro, mas eram mulheres. Vulgares ambos; naquele tempo não me pareciam feios.
- São bonitos, disse eu.
- Bonitos são; mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais próprias para sala de rapaz ou de barbeiro.
- De barbeiro? A senhora nunca foi a casa de barbeiro.
- Mas imagino que os fregueses, enquanto esperam, falam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista deles com figuras bonitas. Em casa de família é que não acho próprio. É o que eu penso; mas eu penso muita coisa assim esquisita. Seja o que for, não gosto dos quadros. Eu tenho uma Nossa Senhora da Conceição, minha madrinha, muito bonita; mas é de escultura, não se pode pôr na parede, nem eu quero. Está no meu oratório.
A idéia do oratório trouxe-me a da missa, lembrou-me que podia ser tarde e quis dizê-lo. Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, com doçura, com graça, com tal moleza que trazia preguiça à minha alma e fazia esquecer a missa e a igreja. Falava das suas devoções de menina e moça. Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá, tudo de mistura, quase sem interrupção. Quando cansou do passado, falou do presente, dos negócios da casa, das canseiras de família, que lhe diziam ser muitas, antes de casar, mas não eram nada. Não me contou, mas eu sabia que casara aos vinte e sete anos.
Já agora não trocava de lugar, como a princípio, e quase não saíra da mesma atitude. Não tinha os grandes olhos compridos, e entrou a olhar à toa para as paredes.
- Precisamos mudar o papel da sala, disse daí a pouco, como se falasse consigo.
Concordei, para dizer alguma coisa, para sair da espécie de sono magnético, ou o que quer que era que me tolhia a língua e os sentidos. Queria e não queria acabar a conversação; fazia esforço para arredar os olhos dela, e arredava-os por um sentimento de respeito; mas a idéia de parecer que era aborrecimento, quando não era, levava-me os olhos outra vez para Conceição. A conversa ia morrendo. Na rua, o silêncio era completo.
Chegamos a ficar por algum tempo, - não posso dizer quanto, - inteiramente calados. O rumor único e escasso, era um roer de camundongo no gabinete, que me acordou daquela espécie de sonolência; quis falar dele, mas não achei modo. Conceição parecia estar devaneando. Subitamente, ouvi uma pancada na janela, do lado de fora, e uma voz que bradava: "Missa do galo! missa do galo!"
- Aí está o companheiro, disse ela levantando-se. Tem graça; você é que ficou de ir acordá-lo, ele é que vem acordar você. Vá, que hão de ser horas; adeus.
- Já serão horas? perguntei.
- Naturalmente.
- Missa do galo! repetiram de fora, batendo.
-Vá, vá, não se faça esperar. A culpa foi minha. Adeus; até amanhã.
E com o mesmo balanço do corpo, Conceição enfiou pelo corredor dentro, pisando mansinho. Saí à rua e achei o vizinho que esperava. Guiamos dali para a igreja. Durante a missa, a figura de Conceição interpôs-se mais de uma vez, entre mim e o padre; fique isto à conta dos meus dezessete anos. Na manhã seguinte, ao almoço, falei da missa do galo e da gente que estava na igreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.
Fonte: Contos Consagrados - Machado de Assis - Coleção Pretígio - Ediouro - s/d.
Plano de aula
FASB – FACULDADE DE SÃO BERNARDO DO CAMPO
Paulo Rogério de Rezende
PLANO DE AULA:
POLITENESS IN ENGLISH
NEVER SAY “WHAT?”
Professora Katya
São Bernardo do Campo
2010
Dados da escola e professor
Professor: Paulo Rogério de Rezende
Escola: FASB
Ano: 2010
Matéria: Inglês
Objetivo
Fornecer aos alunos explicação clara e evidente através de uma seqüência de vídeo do correto uso de expressões utilizadas quando não se entende alguma expressão em Inglês para que em situações que envolvam interações com nativos eles saibam utilizar a expressão apropriada..
Conteúdo
Expressões idiomáticas utilizadas em conversações onde existam diferenças de nível e um interlocutor não compreende exatamente a mensagem que o outro emitiu.
Procedimento
1 – Breve explicação das expressões utilizadas para pedir refrasagem em uma conversação entre um nativo do idioma Inglês e um não-nativo que fale Português.
2 – Apresentação de seqüência de vídeo do filme “Pulp Fiction” ou “Tempo de Violência”.
3 – Apresentação do “script” do filme para os alunos acompanharem melhor e compreender os diálogos.
4 – Análise da atitude das personagens perante o uso impróprio de expressões.
5 – Ressaltar o uso correto das frases sugeridas.
Recursos
1 – Lousa.
2 – DVD player.
3 – Aparelho de televisão.
4 – DVD do filme “Pulp Fiction”.
5 – Folha previamente impressa e copiada com instruções e conteúdo terórico.
Avaliação
Fornecer aos alunos vários textos escritos que contenham diálogos onde ele deve avaliar quais expressões mais indicadas para serem utilizadas. Fazer em sala de aula e corrigir, ou pedir como lição de casa e corrigir na aula seguinte.
Bibliografia:
http://www.educador.brasilescola.com/orientacoes/como-fazer-um-plano-aula.htm
http://www.imsdb.com/scripts/Pulp-Fiction.html
POLITENESS IN ENGLISH
An important feature of English culture is, of course, politeness. If you’ve ever visited England, you’ve probably noticed the
way the English say, Please, Thank you, Pardon me, Sorry and Excuse me absolutely all the time.
You may also notice that people hold the door open for the person coming after them, whether or not they know that person.
The English are also the best queuers in Europe. If you look at an English bus stop, you will be amazed as to how
well-organised the queue is!
Do you feel it is stuffy to be polite? That showing other people common courtesy is old-fashioned? That having manners is
snobbish? Then think about the purpose of politeness – to put others at ease and show consideration. Polite phrases like
“please”, “thank you” and “excuse me” make living in a society easier.
Could you Repeat That?
What do you say when you did not hear what somebody said? Rank the following expressions in order of politeness – from not
at all polite to neutral to very polite:
Pardon?
What was that?
I beg your pardon?
Excuse me?
What?
(I’m) sorry?
Come again?
Suggested answers:
What? (not very polite) Come again? /What was that? (I’m) sorry? / Excuse me? / Pardon? I beg your pardon? (very polite)
SCRIPT OF SEQUENCE OF THE MOVIE: “PULP FICTION”
JULES
Hey kids! How you boys doin'? Hey! Keep chilling. Do you know who we are?
Brett shakes his head: "No."
JULES
We're associates of your business partner Marsellus Wallace, you do remember your business partner dont'ya?
Now I'm gonna take a wild guess here: you're Brett, right?
BRETT
I'm Brett.
JULES
I thought so. Well, you remember your business partner Marsellus Wallace, dont'ya Brett?
BRETT
Yeah, I remember him.
JULES
Good for you. Looks like me and Vincent caught you at breakfast, sorry 'bout that. What'cha havin'?
BRETT
Hamburgers.
JULES
Hamburgers. The cornerstone of any nutritious breakfast. What kinda hamburgers?
BRETT
Cheeseburgers.
JULES
No,no, no I mean where did you get'em? MacDonald's, Wendy's, Jack-in-the- Box, where?
BRETT
Big Kahuna Burger.
JULES
Big Kahuna Burger. That's that Hawaiian burger joint. I heard they got some tasty burgers. I ain't never had one myself, how are they?
BRETT
They're good.
JULES
You Mind if I try one of yours?
BRETT
No.
JULES
This is Yours here, right?
BRETT
Yeah.
JULES
Uuummmm, this is a tasty burger. Vince, you ever try a Big Kahuna Burger?
VINCENT
No.
JULES
You wanna bite, they're real good.
VINCENT
I ain't hungry.
JULES
Well, if you like hamburgers give 'em a try sometime. Me, I can't usually eat 'em 'cause my girlfriend's makes me a vegetarian, but I sure love the taste of a good burger. You know what they call a Quarter Pounder with Cheese in France?
BRETT
No.
JULES
Tell 'em, Vincent.
VINCENT
Royale with Cheese.
JULES
Royale with Cheese, you know why they call it that?
BRETT
Because of the metric system?
JULES
Check out the big brain on Brett. You'a smart motherfucker, that's right. The metric system.
What's in this?
BRETT
Sprite.
JULES
Sprite, good, mind if I have some of your tasty beverage to wash this down?
BRETT
Go right ahead.
JULES
Uuuuummmm, that hit's the spot! You, Flock of Seagulls, you know what we're here for?
JULES
Then why don't you tell my boy here Vince, where you got the shit hid.
MARVIN
It's under the be –
JULES
– I don't remember askin' you a goddamn thing. You were sayin'?
ROGER
It's in the cupboard. No, the one by your knees
VINCENT
Got it.
JULES
We happy?
JULES
Vincent!
JULES
We happy?
VINCENT
Yeah, we're happy.
BRETT
Look, I’m sorry, I didn’t get your name? I got yours Vincent, right? But I never got yours?
JULES
My name's Pitt, and you ain't talkin' your ass outta this shit.
BRETT
I just want you to know… I just want you to know how sorry we are about how things got fucked up with us and Mr. Wallace. We got into this thing with the best intentions –
JULES
Oh, I'm sorry. Did that break your concentration? I didn't mean to do that. Please, continue. you were saying something about "best intentions."
JULES
Whatsamatter? Oh, you were finished. Well, allow me retort.
What does Marcellus Wallace look like?
BRETT
WHAT?
JULES
What country are you from!
BRETT
What?
JULES
"What" ain't no country I ever heard of! they speak English in "What?"
BRETT
What?
JULES
English-motherfucker-do-you-speak-it?
BRETT
Yes.
JULES
Then you know what I'm sayin'?
BRETT
Yes.
JULES
Describe what Marsellus Wallace looks like!
BRETT
What?
JULES
Say "What" again! say "What" again! I dare ya, I double dare ya motherfucker, say "What" one more goddamn time!
JULES
Now describe to me what Marsellus Wallace looks like!
BRETT
Well he's... he's... black –
JULES
go on!
BRETT
...and he's... he's... bald –
JULES
does he look like a bitch?!
BRETT
What?
JULES
Does-he-look-like-a-bitch?!
BRETT
No.
JULES
Then why did you try to fuck 'im like a bitch Brett?!
BRETT
I didn't.
JULES
Yes ya did. Yes ya did Brett Ya tried ta fuck 'im and Marsellus Wallace don’t like to be fucked by anybody, except Mrs. Wallace. You read the Bible, Brett?
BRETT
Yes.
JULES
There's a passage I got memorized, seems appropriate for this situation: Ezekiel 25:17. "The path of the righteous man is beset on all sides by the inequities of the selfish and the tyranny of evil men. Blessed is he who, in the name of charity and good will, shepherds the weak through the valley of darkness, for he is truly his brother's keeper and the finder of lost children. And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who attempt to poison and destroy my brothers. And you will know my name is the Lord when I lay my vengeance upon thee."
Paulo Rogério de Rezende
PLANO DE AULA:
POLITENESS IN ENGLISH
NEVER SAY “WHAT?”
Professora Katya
São Bernardo do Campo
2010
Dados da escola e professor
Professor: Paulo Rogério de Rezende
Escola: FASB
Ano: 2010
Matéria: Inglês
Objetivo
Fornecer aos alunos explicação clara e evidente através de uma seqüência de vídeo do correto uso de expressões utilizadas quando não se entende alguma expressão em Inglês para que em situações que envolvam interações com nativos eles saibam utilizar a expressão apropriada..
Conteúdo
Expressões idiomáticas utilizadas em conversações onde existam diferenças de nível e um interlocutor não compreende exatamente a mensagem que o outro emitiu.
Procedimento
1 – Breve explicação das expressões utilizadas para pedir refrasagem em uma conversação entre um nativo do idioma Inglês e um não-nativo que fale Português.
2 – Apresentação de seqüência de vídeo do filme “Pulp Fiction” ou “Tempo de Violência”.
3 – Apresentação do “script” do filme para os alunos acompanharem melhor e compreender os diálogos.
4 – Análise da atitude das personagens perante o uso impróprio de expressões.
5 – Ressaltar o uso correto das frases sugeridas.
Recursos
1 – Lousa.
2 – DVD player.
3 – Aparelho de televisão.
4 – DVD do filme “Pulp Fiction”.
5 – Folha previamente impressa e copiada com instruções e conteúdo terórico.
Avaliação
Fornecer aos alunos vários textos escritos que contenham diálogos onde ele deve avaliar quais expressões mais indicadas para serem utilizadas. Fazer em sala de aula e corrigir, ou pedir como lição de casa e corrigir na aula seguinte.
Bibliografia:
http://www.educador.brasilescola.com/orientacoes/como-fazer-um-plano-aula.htm
http://www.imsdb.com/scripts/Pulp-Fiction.html
POLITENESS IN ENGLISH
An important feature of English culture is, of course, politeness. If you’ve ever visited England, you’ve probably noticed the
way the English say, Please, Thank you, Pardon me, Sorry and Excuse me absolutely all the time.
You may also notice that people hold the door open for the person coming after them, whether or not they know that person.
The English are also the best queuers in Europe. If you look at an English bus stop, you will be amazed as to how
well-organised the queue is!
Do you feel it is stuffy to be polite? That showing other people common courtesy is old-fashioned? That having manners is
snobbish? Then think about the purpose of politeness – to put others at ease and show consideration. Polite phrases like
“please”, “thank you” and “excuse me” make living in a society easier.
Could you Repeat That?
What do you say when you did not hear what somebody said? Rank the following expressions in order of politeness – from not
at all polite to neutral to very polite:
Pardon?
What was that?
I beg your pardon?
Excuse me?
What?
(I’m) sorry?
Come again?
Suggested answers:
What? (not very polite) Come again? /What was that? (I’m) sorry? / Excuse me? / Pardon? I beg your pardon? (very polite)
SCRIPT OF SEQUENCE OF THE MOVIE: “PULP FICTION”
JULES
Hey kids! How you boys doin'? Hey! Keep chilling. Do you know who we are?
Brett shakes his head: "No."
JULES
We're associates of your business partner Marsellus Wallace, you do remember your business partner dont'ya?
Now I'm gonna take a wild guess here: you're Brett, right?
BRETT
I'm Brett.
JULES
I thought so. Well, you remember your business partner Marsellus Wallace, dont'ya Brett?
BRETT
Yeah, I remember him.
JULES
Good for you. Looks like me and Vincent caught you at breakfast, sorry 'bout that. What'cha havin'?
BRETT
Hamburgers.
JULES
Hamburgers. The cornerstone of any nutritious breakfast. What kinda hamburgers?
BRETT
Cheeseburgers.
JULES
No,no, no I mean where did you get'em? MacDonald's, Wendy's, Jack-in-the- Box, where?
BRETT
Big Kahuna Burger.
JULES
Big Kahuna Burger. That's that Hawaiian burger joint. I heard they got some tasty burgers. I ain't never had one myself, how are they?
BRETT
They're good.
JULES
You Mind if I try one of yours?
BRETT
No.
JULES
This is Yours here, right?
BRETT
Yeah.
JULES
Uuummmm, this is a tasty burger. Vince, you ever try a Big Kahuna Burger?
VINCENT
No.
JULES
You wanna bite, they're real good.
VINCENT
I ain't hungry.
JULES
Well, if you like hamburgers give 'em a try sometime. Me, I can't usually eat 'em 'cause my girlfriend's makes me a vegetarian, but I sure love the taste of a good burger. You know what they call a Quarter Pounder with Cheese in France?
BRETT
No.
JULES
Tell 'em, Vincent.
VINCENT
Royale with Cheese.
JULES
Royale with Cheese, you know why they call it that?
BRETT
Because of the metric system?
JULES
Check out the big brain on Brett. You'a smart motherfucker, that's right. The metric system.
What's in this?
BRETT
Sprite.
JULES
Sprite, good, mind if I have some of your tasty beverage to wash this down?
BRETT
Go right ahead.
JULES
Uuuuummmm, that hit's the spot! You, Flock of Seagulls, you know what we're here for?
JULES
Then why don't you tell my boy here Vince, where you got the shit hid.
MARVIN
It's under the be –
JULES
– I don't remember askin' you a goddamn thing. You were sayin'?
ROGER
It's in the cupboard. No, the one by your knees
VINCENT
Got it.
JULES
We happy?
JULES
Vincent!
JULES
We happy?
VINCENT
Yeah, we're happy.
BRETT
Look, I’m sorry, I didn’t get your name? I got yours Vincent, right? But I never got yours?
JULES
My name's Pitt, and you ain't talkin' your ass outta this shit.
BRETT
I just want you to know… I just want you to know how sorry we are about how things got fucked up with us and Mr. Wallace. We got into this thing with the best intentions –
JULES
Oh, I'm sorry. Did that break your concentration? I didn't mean to do that. Please, continue. you were saying something about "best intentions."
JULES
Whatsamatter? Oh, you were finished. Well, allow me retort.
What does Marcellus Wallace look like?
BRETT
WHAT?
JULES
What country are you from!
BRETT
What?
JULES
"What" ain't no country I ever heard of! they speak English in "What?"
BRETT
What?
JULES
English-motherfucker-do-you-speak-it?
BRETT
Yes.
JULES
Then you know what I'm sayin'?
BRETT
Yes.
JULES
Describe what Marsellus Wallace looks like!
BRETT
What?
JULES
Say "What" again! say "What" again! I dare ya, I double dare ya motherfucker, say "What" one more goddamn time!
JULES
Now describe to me what Marsellus Wallace looks like!
BRETT
Well he's... he's... black –
JULES
go on!
BRETT
...and he's... he's... bald –
JULES
does he look like a bitch?!
BRETT
What?
JULES
Does-he-look-like-a-bitch?!
BRETT
No.
JULES
Then why did you try to fuck 'im like a bitch Brett?!
BRETT
I didn't.
JULES
Yes ya did. Yes ya did Brett Ya tried ta fuck 'im and Marsellus Wallace don’t like to be fucked by anybody, except Mrs. Wallace. You read the Bible, Brett?
BRETT
Yes.
JULES
There's a passage I got memorized, seems appropriate for this situation: Ezekiel 25:17. "The path of the righteous man is beset on all sides by the inequities of the selfish and the tyranny of evil men. Blessed is he who, in the name of charity and good will, shepherds the weak through the valley of darkness, for he is truly his brother's keeper and the finder of lost children. And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who attempt to poison and destroy my brothers. And you will know my name is the Lord when I lay my vengeance upon thee."
Momento de devaneio poético-científico:
Poesia científica – O pó da existência
Sou o tudo, sou o nada, fui criado do barro e ao pó retornarei.
Sou filho das estrelas e irmão das árvores.
Porém me sinto órfão na minha ignorância.
Perante tudo o que o mundo é, talvez eu seja.
A força da certeza adormecida pelo poder da dúvida universal.
Dúvida que me faz levantar todos os dias e agradecer aos céus.
Céus que às vezes me ignoram e que às vezes me surpreendem.
Nessa dança das efemeridades reside minha pobre consciência.
Consciência que me perturba e nada me assegura.
Nesse leito de incertezas, jaz apenas uma verdade:
No fundo e no final, não passo de pó, poeira das estrelas.
Rejeitada pelo Hélio e adotada por Zeus.
Vagando por esse universo, como já me disseram, em linha curva.
A partir de um ponto no infinito, a esse ponto retornarei.
O que vivo, vivi e viverei fica registrado nos acásicos.
Na malha da história e nas cordas do universo.
Vivendo em 3 dimensões como se estivesse em duas.
O caos do universo espremido no microcosmo do meu crânio.
O destino e o tempo inexistentes me marcaram como laser.
Nessas cicatrizes de minha evolução darwiniana e freudiana.
Resgato a única lembrança que me alegra a energia da minha alma.
No meio das certezas improváveis como a anti-matéria.
Aparece apenas a beleza cósmica do seu sorriso jovial.
Paro e penso: Te amo, logo existo!
Eu
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Que tal escrever um pouco sobre você?
Poesia científica – O pó da existência
Sou o tudo, sou o nada, fui criado do barro e ao pó retornarei.
Sou filho das estrelas e irmão das árvores.
Porém me sinto órfão na minha ignorância.
Perante tudo o que o mundo é, talvez eu seja.
A força da certeza adormecida pelo poder da dúvida universal.
Dúvida que me faz levantar todos os dias e agradecer aos céus.
Céus que às vezes me ignoram e que às vezes me surpreendem.
Nessa dança das efemeridades reside minha pobre consciência.
Consciência que me perturba e nada me assegura.
Nesse leito de incertezas, jaz apenas uma verdade:
No fundo e no final, não passo de pó, poeira das estrelas.
Rejeitada pelo Hélio e adotada por Zeus.
Vagando por esse universo, como já me disseram, em linha curva.
A partir de um ponto no infinito, a esse ponto retornarei.
O que vivo, vivi e viverei fica registrado nos acásicos.
Na malha da história e nas cordas do universo.
Vivendo em 3 dimensões como se estivesse em duas.
O caos do universo espremido no microcosmo do meu crânio.
O destino e o tempo inexistentes me marcaram como laser.
Nessas cicatrizes de minha evolução darwiniana e freudiana.
Resgato a única lembrança que me alegra a energia da minha alma.
No meio das certezas improváveis como a anti-matéria.
Aparece apenas a beleza cósmica do seu sorriso jovial.
Paro e penso: Te amo, logo existo!
Eu
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